domingo, 6 de janeiro de 2008

POEMA LIBERTADOR (OU SIM MAMÃE!)

Eu tinha prometido a mim mesmo que não publicava mais as minhas poesias, as considero muito fracas e repetitivas de tudo o que já li, mas com essa eu não consegui me segurar. Não que ela seja um primor de poesia, uma poesia definitiva na poesia, mas ela o é para a MINHA poesia, para o meu ser poético. Espero que gostem, ela é um grito, um rasgar de pele, um uivo.



POEMA LIBERTADOR (OU SIM MAMÃE)

para a minha Mãe

Sim mamãe! Eu fumo maconha

Sim mamãe! Eu gosto de fumar

Sim mamãe! Eu não tenho medo de me viciar

Sim mamãe! Eu me sinto bem

Sim mamãe! Sim mamãe!

Sim mamãe! Eu não dou a mínima p’ra Deus

Sim mamãe! Eu sou contra a família

Sim mamãe! Eu nunca gostei do casamento

Sim mamãe! Eu quero me deitar com um homem

Sim mamãe! Eu já beijei um homem

Sim mamãe! Sim mamãe!

Sim mamãe! Eu me masturbo

Sim mamãe! Eu me sinto bem agora

Sim mamãe! Eu sou pansexual

Sim mamãe! Eu me enjôo nas festas familiares

Sim mamãe! Sim mamãe!

Sim mamãe! Eu sou poeta

Sim mamãe! Eu me odeio

Sim mamãe! Eu te odeio

Sim mamãe! Eu queria morrer enquanto escrevo esse poema

Sim mamãe! Sim mamãe!

Sim mamãe! Eu erro

Sim mamãe! Eu sou instável

Sim mamãe! Eu dou milho aos pombos

Sim mamãe! Sim mamãe!

Sim mamãe! Eu quero mudar o mundo

Sim mamãe! Eu queria ser um filho melhor

Sim mamãe! Eu não gosto do Chico

Sim mamãe! Eu te choco

Sim mamãe! Sim mamãe

Sim mamãe! Eu queria me picar

Sim mamãe! Eu sou um suicida

Sim mamãe! Eu queria estar no seu colo

Sim mamãe! Eu gosto deste apartamento

Sim mamãe! Sim mamãe!

Sim mamãe! Eu tenho ciúmes do papai

Sim mamãe! Eu já fui corno

Sim mamãe! Eu já quis te matar

Sim mamãe! Eu me arrependo

Sim mamãe! Sim mamãe!

Sim mamãe! Eu queria ir ao show do Bob Dylan

Sim mamãe! Eu sou um frustrado

Sim mamãe! Eu tenho medo de altura

Sim mamãe! Eu queria sair correndo daqui

Sim mamãe! Sim mamãe!

Sim mamãe! Eu não quero apenas uma mulher

Sim mamãe! Eu não quero apenas mulheres

Sim mamãe! Eu te amo

Sim mamãe! Eu queria apenas fazer um poema decente

Sim mamãe! Sim mamãe!

Sim mamãe! Sim mamãe!

Sim mamãe! Sim mamãe!

Sim mamãe! Sim mamãe!

SP, Janeiro de 2008

1 comentários:

Tory disse...

gostei bastante do poema, é bem identificável para essa geração dos vinte e poucos. "eu não gosto do chico". ahaha.
meu deu saudade do tempo que eu tinha blog e vivia para escrever. esse tempo de vestibular (que termina hoje) é (foi) uma mierda.

adorei o blog, seu moço. tentarei ser uma leitora assídua. mas sou geminiana então nem prometo nada. ;*

beijão!
tory